segunda-feira, 16 de abril de 2018

Balé Teatro Guaíra abre festival Vivadança nesta quinta no TCA

O Vivadança Festival Internacional chega à sua 12ª edição entre 19 e 29 de abril ocupando teatros, espaços alternativos e ruas de Salvador. A abertura será nesta quinta-feira (19), às 20h, na sala principal do Teatro Castro Alves, com o espetáculo “Carmen”, do Balé Teatro Gaíra. Drama clássico de amor e ódio ambientado na Sevilha do século XIX, a montagem conta com coreografia de Luiz Fernando Bongiovanni, a partir das composições de Georges Bizet e Rodion Shchedrin. Além deste espetáculo, o festival terá uma programação variada, incluindo trabalhos de artistas do Brasil, Espanha, Costa Rica, Argentina, Colômbia, França, Israel, Polônia, Equador e México.  “A 12ª edição do VIVADANÇA é marcada mais uma vez pela diversidade e parceria. No momento atual do país, e do mundo, torna-se fundamental promover encontros através da arte. Unir, nesses encontros pessoas de outras culturas, amplia ainda mais nossa visão sobre questões comuns. O festival segue firme sendo ponto de energização para futuros desdobramentos e espaço de liberdade para as ricas diferenças da contemporaneidade”, avalia a diretora, curadora e coreógrafa Cristina Castro.

Bahia Notícias / Cultura 

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Balé Teatro Guaíra aborda violência contra mulher em nova versão de “Carmen”

Beatriz Peccin especial para Gazeta do Povo
Em um paralelo perverso, 141 anos separam a ópera “Carmen”, de Georges Bizet, da estatística de quase cinco mil mulheres mortas anualmente no Brasil. Em 1875, Bizet chocou a aristocracia francesa ao dar vida à novela de Prosper Merimée, narrando a trajetória de uma mulher que é morta pelo companheiro porque ele não queria vê-la com outro homem. Na ficção, Carmen é morta pelo ciúme de Dom José. Na realidade brasileira, 13 mulheres são assassinadas diariamente vítimas de violência de gênero, segundo o Atlas da Violência 2016 produzido pelo IPEA.

Em homenagem à “força feminina”, o diretor e coreógrafo Luiz Fernando Bongiovanni e o Balé Teatro Guaíra encenam “Carmen”, na última apresentação do BTG do ano. Em cartaz no Teatro Guaíra desta quinta (16) até domingo (18), o balé encenará uma versão contemporânea da ópera clássica.
Um “twist” de interpretações de Carmen foi utilizado para compor o espetáculo apresentado pelo BTG este ano. A ópera foi encenada pela primeira vez em Paris em 1875 e ganhou inúmeras reinterpretações desde então. A mais famosa é a feita pelo Bolshoi, em 1967,em que a composição do francês Bizet foi substituída por uma versão mais moderna feita pelo russo Rodion Shchedrin.
Na apresentação contemporânea do BTG, a versão de Shchedrin foi a escolhida por Bongiovanni no intuito de atualizar “a tragédia do feminicídio no Brasil”. Segundo a bailarina Malki Pinsag, que dará vida a Carmen no espetáculo, a exigência do coreógrafo é que “os bailarinos mantenham uma comunicação simples e constante com a plateia”, para transmitir a história sem o apoio de elementos externos, “apenas com os movimentos do corpo”.
Para tanto, a coreografia foi construída entre os bailarinos a fim de “valorizar a dança pessoal de cada um, de modo a manter a singularidade artística do bailarino”. “Vir com a coreografia pronta e pedir para que a imitem impede que o bailarino se aproprie daquela história, gerando uma representação muito superficial”, diz Bongiovanni, explicando a proposta da dança contemporânea estipulada para o projeto.
“A verdade das personagens carregadas de humanidade são fundamentais para que o público entenda a dimensão da prosopopeia de ‘Carmen’”, acredita o coreógrafo.